Luciana Wickert

Blog

8 de abril de 2009

Entrevista com Laura Cánepa

Pessoal,

Após meses de atraso devido a minha licença-maternidade e a mudança de cidade, segue abaixo a entrevista com a Doutora em Multimeios (IAR - UNICAMP) Laura Cánepa.

A idéia desta entrevista surgiu de um bate papo sobre a possibilidade de pesquisa de novos temas no meio acadêmico.

Fica a dica!

Luciana

1) Laura, qual foi o tema do teu trabalho?

O tema da minha tese foram as configurações que o gênero cinematográfico do horror assumiu nos longa-metragens de ficção brasileiros ao longo da história do nosso cinema. O título ficou assim: “Medo de quê? - Uma história do horror dos filmes brasileiros”.

2) Como surgiu a ideia de pesquisar cinema de terror? E mais especificamente cinema de terror brasileiro?

A ideia surgiu pela curiosidade, mesmo. Não houve nenhum fato específico que tenha sido o desencadeador. Mas, como o tema nunca havia sido estudado em nível acadêmico, acabou sendo um desafio bacana.

3) Quais foram as maiores dificuldades da pesquisa?

A maior dificuldade foi descobrir os filmes, pois a historiografia e os registros de memória do cinema brasileiro têm muitas lacunas, principalmente no que se refere aos estudos do cinema popular e de gênero, que são raríssimos, ainda mais quando comparados aos estudos de cinema “de arte” e autoral que ocupam a  imensa maioria dos estudos de cinema no brasil.

4) Quais os principais resultados?

A descoberta de 132 filmes, a maioria deles absolutamente esquecidos pela nossa historiografia.

5) Qual o filme mais antigo que localizaste?

O jovem Tataravô. Dirigido por Luís de Barros em 1937, no Rio de Janeiro. É uma comédia sobre um morto redivivo. No site http://www.carcasse.com/revista/anfiguri/o_jovem_tataravo/index.php é possível ter maiores informações.

6) Por que o cinema de terror brasileiro é tão pouco conhecido?

 Acredito que seja uma conjugação de fatores: em primeiro lugar, a histórica rejeição, por parte da cultura nacional erudita, ao gênero terror, visto como sinal de atraso por suas relações com um imaginário muitas vezes próximo das origens “selvagens” da nossa população; sem segundo lugar, o registro deficiente da tradição horrorífica nacional, frequentemente restrita à literatura oral ou a manifestações escritas tidas como de menor importância, como o cordel, a literatura pulp, o relato jornalístico sensacionalista etc; em terceiro lugar, o desprezo, disseminado entre os historiadores brasileiros pelo cinema popular, especialmente quando este tenta emular os cânones de “gênero” consagrados por Hollywood - o que inclui a maior parte das experiências nacionais em relação ao horror.

7) Quais filmes sugeririas para que o leitor do blog assistisse?

Sugiro que o leitor dê uma olhada no blog que fiz da tese www.cinequanon.art.br/medodoque e escolha por conta própria, já que há muito preconceito e controvérsia em torno de gostar-se ou não de filme de terror.


Desenvolvimento: Melina Pierro